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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Noite Citadina [Parte I]

Ela balançou docemente pelo ar frio, empurrada pela brisa gélida que enigmaticamente toca nas peles humanas e arrepia, trazendo das profundezas da alma os meandros mais profundos do desconforto. Ela continuou na sua lânguida caminhada silenciosa, até repousar traquilamente na áspera gravilha coberta pela escuridão. A folha permaneceu incógnita na sua total ignorância universal, enquanto a noite desfiava os seus segredos. A rua dormia num sono tranquilo, enrolada na sua manta invisível de bocejo aconchegado, dando abrigo à multiplicidade de almas desconexas que viviam nas suas bordas. Parcas luzes em andaers superiores revelavam os espíritos mais nocturnos, movidos por uma gennuína insónia, ou por ocasionais leituras madrugadoras, ou simples exercícios conjugais num mix contínuo de silêncios, suspiros e suor. Periodicamente, de tantos em tantos metros, uma luz bafienta e por vezes tremelicante, dava uma segurança éfemera àquela rua, revelando as suas entranas mais profundas. Um gato de pêlo oleoso passeava por segundos a sua vida de ladroagem anumal e de solidão de rua, uma senhora de mais idade acelerava o seu passo ciente que o seu pequeno filho ansiava pelos seus braços quentes e o seu amor maternal reconfortante, e um homem no seu aspecto andrajoso passeava a sua sujidade extrema não caminhando, apenas arrastando a sua própria existência que a sociedade tinha marginalizado numa ostracização opaca e cruel.

Os minutos passavam na sua eternidade intemporal, para sempre perdidos na memória eterna do desstino, mas uma memória eferma dos Humanos numa erosão constante provocada pelo tempo. A vida simplesmente não se desenrolava naquela rua, apenas mais uma no meio de tantas daquela grande cidade plantada à beira-mar. Grande na sua pequenez e mesquinhez, num retrato nacional pouco abonatório de um somatório de almas incapaz de suster a sua forte queda e degeneração constante num ritmo inexorável. Somatório esse que dá pelo nome de Povo, essa entidade estranha incapaz de ser definida e explicada em meras linhas lógicas de simplicidade atroz, e para sempre fechada numa redoma protectora contra qualquer tipo de agressão exterior. E enquanto a noite se abatia com uma profundidade crescente, a folha permanecia no seu minúsculo retiro irracional, sentindo por vezes a brisa gélida a afagar a sua superfície. Tão irracional e adormecida ela estava, que não reparou num pequeno barulho de algo a raspar na gravilha a aproximar-se perigosamente e, finalmente, a esmagá-la num movimento lento e silencioso. Os seus pés pararam naquele instante a sua breve caminhada. Nesse mesmo segundo o barulho da gravilha remexida cessou, cobrindo-o de um silêncio misterioso. Sentiu algo mais escorregadio por debaixo do seu pé direito e fez força para baixo, esmagando por completo a folha e enterrando-a parcialmente na ténue e fina camada de gravilha. À sua volta, uma clareira formava o seu palco, ladeada por quatro bancos, dois de cada lado e separados por metade da altura de um homem mediano. A clareira não tinha uma forma geométrica simples ou concreta, era uma mistura simultânea de um círculo, de uma oval, de um rectângulo e de um quadrado, formando apenas e unicamente um desenho anárquico na sua extrema organização. A única paisagem comum era a fila constante de poucas árvores que rodeavam o pequeno campo de gravilha. Era neste espaço que o seu corpo tinha cessado a sua viagem, contemplando o que os seus olhos viam.

Cerrou o seu olhar por breves momentos, os suficientes para sentir aquele ar fresco apreciável rondar o seu robusto corpo protegido por grossas camadas de roupa. Abriu ligeiramente a sua boca e deixou sair um suspiro mais prolongado, expelindo, na escuridão protectora, uma prolongada nuvem de vapor de água gélido. Reabriu o seu olhar e voltou a vislumbrar parte do que a sua memória já tinha gravado. À sua frente conseguia ver um candeeiro de rua que lançava a sua luz titibiante, iluminando um passeio de calçada branca suja e a entrada da clareira. A sua luz era tépida, aplacada por um fino nevoeiro que teimava em surgir e aumentar de presença, obstruindo cada vez mais o campo de visão. Por detrás das últimas árvores, ao lado da entrada da clareira, conseguia ver parte da fila de prédios ordinariamente alinhados, e uma ou outra luz mais fraca, de um simples candeeiro de mesa numa das janelas mais altas. Respirou fundo e apertou as suas luvas pretas de cabedal, aconchegando as suas fortes mãos no seu interior. Compôs o seu comprido sobretudo escuro, sentindo-se aconchegado no seu interior, e endireitou a gola levantada que alimentava o disfarce. Levou a mão direito ao bolso lateral direito do seu sobretudo e sentiu aquele peso que o reconfortou e que lhe provocou um sorriso gélido na face. Suspirou fundo, cerrou os olhos por um instante e, sentindo a rua totalmente silenciosa, esboçou o seu primeiro passo seguindo de um segundo mais convicto. No meio daquele largo jardim surgiu um efémero barulho de gravilha remexida, em direcção àquela rua completamente adormecida, incapaz de prever que um fino fio de sangue iria manchá-la para sempre.

Fim da Parte I


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um simples anúncio

A partir de amanhã, um conjunto de capítulos serão lançados ao vento, esperando que alguém os sinta como literatura que valha a pena perder alguns minutos...

domingo, 12 de dezembro de 2010

China a estender os seus tentáculos pela Arábia Saudita

CHINA, the world’s second-largest consumer of oil, is poised to buy more Saudi oil than the United States does. Last year it actually did so, though this year’s figures suggest that the Americans may again be level-pegging as the biggest buyer. In the next two years, however, China looks set to become consistently the Saudis’ key customer. Moreover, the Saudis are also now buying more Chinese goods—mostly food, textiles, hardware and heavy industrial stuff—than American ones.

Since he came to the throne in 2005, King Abdullah has adopted a pro-Asian, “look east” trade policy. More than half of Saudi oil now goes to Asia, against around 14%, at the latest count, to the United States. Saudi Aramco, the world’s largest oil company, owns a refinery in Qingdao province and has another, in Fujian, as a joint venture with Sinopec, a Chinese petroleum giant, and ExxonMobil, an American one. Meanwhile, Chinese firms have begun to invest in infrastructure and industry in Saudi Arabia, including in an aluminium smelter in the southern province of Jizan, at a cost of $3 billion. Saudi Arabia now sends students on scholarships to Chinese universities, and some rich Saudis, more used to shopping for Gucci in New York or London, are heading to once-obscure Chinese cities to buy furniture.


A Cinha continua a extender os seus tentáculos e a Arábia Saudita dá a sua mãozinha, ajudando a grande economia asiática com aquilo que mais necessita: o ouro negro. Em termos simples, a China vai solidificando as suas ligações diplomáticas e económicas, de forma a que o sue ritmo de crescimento continue imparável (mal-grado a inflação e a possível bolha imobiliária). Os EUA que se cuidem, a necessidade da Arábia Saudita de know-how e de equipamento militar não pode ser encarada como segurança de exclusividade de relações. Muita da geopolítica, da sua definição, do Séc.XXI irá passar pelo Médio Oriente.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Curdistão: uma realidade ou uma quimera?

O presidente do Curdistão iraquiano reivindicou hoje o direito à autodeterminação da região, que goza há vinte anos de uma ampla autonomia e que não esconde o desejo de tornar-se independente. Mas nunca até agora, Massoud Barzani se tinha referido tão claramente sobre essa ambição, rejeitada não só por Bagdad, como pela vizinha Turquia.

O histórico dirigente curdo fez o anúncio no discurso de abertura do 13º congresso do Partido Democrático do Curdistão (PDK, a principal força política da região), adiantando que os 1300 delegados presentes em Erbil serão chamados a pronunciar-se sobre “o direito à autodeterminação”.

Palavras que ganharam mais força por terem sido ditas na presença do Presidente iraquiano, o também curdo Jalal Talabani, do primeiro-ministro indigitado, o xiita Nuri al-Maliki, e de Iyad Allawi, líder da aliança secular vencedora das legislativas de Março.



Será mesmo um factor de desestabilização de uma região, já por si, fracturada?

Ao reafirmar a velha ambição curda, Barzani acrescenta um factor de desestabilização na já complexa situação política iraquiana, sublinhava a AFP.

Merkel e Sarkozy: alguém com uma ponta de bom-senso

Angela Merkel e Nicolas Sarkozy reuniram-se para alinhar posições para a cimeira europeia da próxima semana. Não querem aumento do fundo, nem emissão de obrigações europeias.

A França e a Alemanha assumiram ontem uma posição comum contra um aumento do fundo de socorro do euro, a solução defendida pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para acalmar a especulação dos mercados financeiros contra os países mais endividados.

Esta posição foi assumida ontem por Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, Presidente francês, durante um encontro bilateral em Freiburg, na Alemanha, destinado a preparar a cimeira de líderes da União Europeia (UE) da próxima semana.



A seguir a estas declarações irão aparecer os arautos da irresponsabilidade, a berrarem que França e Alemanha não são solidários com os problemas dos "bebés" irresponsáveis da Europa do Sul. Uma coisa deve ser deixada clara: os Eurobonds são apenas uma protelação do problema, é o prémio para os irresponsáveis, é uma desresponsabilização inaceitável dos países periféricos que, nadados em dinheiro, gastaram-no onde não deveria ter gasto, deixando as reformas estruturais esquecidas a um pequeno canto.

Conferência de Cancún produz algo

A conferência climática da ONU em Cancún, México, terminou hoje com um acordo relativamente modesto, mas tido como um passo importante rumo a um novo tratado contra o aquecimento global.

Em textos de compromisso apresentados pela presidência mexicana da conferência, o acordo não fixa metas vinculativas de redução de emissões de gases com efeito estufa, seja para os países ricos ou pobres. Mas determina um objectivo de dois graus Celsius como limite para o aumento da temperatura média global até ao fim do século e cria um Fundo Verde Climático para os países em desenvolvimento, com promessas de 100 mil milhões de dólares (76 mil milhões de euros) anuais a partir de 2020.

Os textos foram aceites pelos cerca de 190 países representandos em Cancún, excepto pela Bolívia, cuja discordância protelou a discussão. Foi formalmente aprovado pelo plenário às 3h30 (9h30 em Lisboa).



Bem melhor que nada. Mas permanece a dúvida - até que ponto o aquecimento global existe mesmo e é mesmo fruto, apenas, da acção humana?

E parece que a Mossad anda ocupada a lançar tubarões para Sharm-El-Sheik

E, de repente, o paraíso dos banhistas e mergulhadores transformou-se num refeitório para tubarões. Enquanto os cientistas procuram respostas para os ataques em Sharm el-Sheikh, Israel já teve de garantir publicamente que não se trata de uma acção dos seus serviços secretos.

A vida decorre tranquila numa estância balnear, até que, um dia, uma série de ataques de tubarão lança o pânico na região. As autoridades tentam conter os danos, mas, logo a seguir, regista-se a primeira morte. Nessa altura, o alerta geral é dado e, enquanto os turistas são proibidos de entrar no mar, especialistas vindos de fora tentam perceber o que se passa.

Parece a sinopse do velho clássico Tubarão, mas é exactamente o que se passou na última semana em Sharm el-Sheikh, Egipto, uma das mais afamadas estâncias balneares e de mergulho do mundo. O primeiro susto já tinha acontecido dias antes, com os ataques a três turistas russos e um ucraniano, mas foi no domingo, dia 5, que a situação ganhou o dramatismo que nos traz à cabeça as imagens do filme de Steven Spielberg. O corpo de uma turista alemã de 70 anos deu à costa, com a perna direita dilacerada por dentadas de tubarão.

A cena foi horrível. "A água borbulhava como numa máquina de lavar. Eu andava aos tombos por entre o sangue. O tubarão continuava a golpear e a morder aquela pobre mulher e eu mal conseguia manter-me à superfície", relatou ao jornal The Guardian uma turista, Ellen Barnes, que estava na água quando se deu o ataque fatal. Mas isto não representou apenas uma escalada na violência: quando aconteceu, já a opinião pública estava a ser convencida de que os culpados tinham sido apanhados.

O turismo é uma fonte de receita essencial para o Egipto - emprega 11 por cento da população activa e, este ano, espera-se que faça entrar no país cerca de 8,8 mil milhões de euros. Dois terços deste total são gerados pelas estâncias balneares, contabiliza o Guardian. Por isso, não espanta que os ataques iniciais tenham dado origem a uma maciça caça ao tubarão nas águas do Mar Vermelho. A televisão egípcia divulgou imagens da captura de pelo menos um dos dois tubarões-de-pontas-brancas que teriam molestado os turistas.

Não eram eles. Ou, pelo menos, não eram apenas eles. E lá se vão as semelhanças com o filme, onde a vaga sangrenta se devia apenas a um tubarão "psicopata"... Especialistas internacionais apontam agora para a hipótese de haver outra espécie envolvida nesta vaga sangrenta: o tubarão-mako. E aqui a trama, como em qualquer filme de suspense, adensa-se. Tanto o pontas-brancas como o mako são tubarões de mar aberto e, por isso, raramente são vistos perto da costa. Por que razão estariam eles agora a caçar em águas pouco profundas, atacando, ainda por cima, seres humanos?



Hoje em dia tudo serve para acusar Israel de tudo o que acontece de mau pelos idos do Médio Oriente.... Há com cada uma...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

China e o seu difícil relacionamento com a Democracia

A China mantém o tom de desafio em relação à cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo, que decorre hoje em Oslo, sem a presença do dissidente chinês, garantindo que "a grande maioria" dos países do mundo irá boicotá-la. As Nações Unidas dizem ter informação de que Pequim deteve, pelo menos, 20 activistas e tenta bloquear o acesso aos media ocidentais.

Há ainda relatos de 120 detenções domiciliárias, restrições para viajar e outros actos de intimidação enumerados pela BBC.

Também a casa de Liu Xiaobo, onde se encontra a mulher, Liu Xia, em prisão domiciliária, na capital chinesa, está a ser vigiada esta sexta-feira por forças das autoridades, descreveu o correspondente da estação britânica Damian Grammaticas, presente no local.

Ontem, Pequim garantia que grande parte dos países do mundo iria boicotar a cerimónia de entrega do galardão em Oslo. Já a Noruega disse que um terço dos convidados recusou o convite, entre eles nações com grandes laços comerciais com a China e países que recusam a pressão ocidental para a defesa dos direitos humanos.

Yolanda Be Cool - We No Speak Americano




E uma boa noite

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Uma estranha solidariedade

A triste realidade dos números e da nossa incompetência

O Barclays Capital defende que Portugal devia pedir a intervenção da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e avisa que a dívida pública do país vai atingir os 100 por cento do PIB em 2014.

Num relatório sobre as Previsões Económicas Mundiais para 2011, divulgado hoje, o Barclays Capital refere que “o mercado não reagiu positivamente ao plano de consolidação orçamental de 2011, que propõe reduzir o défice de 7,3 por cento este ano para 4,6 por cento”.

O banco acredita mesmo que Portugal irá continuar a enfrentar taxas de juro demasiado elevadas (de seis por cento ou mais) para se financiar nos mercados, pelo que não conseguirá inverter a trajectória de degradação das contas públicas. Em 2014, prevê, Portugal teria uma dívida pública equivalente a 100 por cento do PIB, bem acima, portanto, do limite de 60 por cento definido por Bruxelas.



Mais uma instituição que diz o óbvio que o Governo não quer admitir: mais cedo ou mais tarde, a nossa soberania será afectada pela nossa própria incompetência. É inadmissível que, se a previsão se concretizar, que a dívida pública seja equivalente a 100% do PIB. Será que a actual geração precisa de mais evidências para iniciar a sua revolta?

Cote D'Ivoire e uma normalidade democrática desejada

O Conselho de Segurança das Nações Unidas distribuiu hoje um comunicado a reafirmar, de forma inequívoca, que Alassane Ouattara ganhou as presidenciais na Costa do Marfim.

Ao fim de três dias de debate, durante os quais a Rússia se manifestou aparentemente compreensiva com o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, que ainda não aceitou a derrota, o Conselho acabou por condenar nos termos mais enérgicos possíveis os esforços de “se subverter a vontade popular”.

Tendo em conta que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), reconheceu o antigo primeiro-ministro Ouattara como Presidente eleito, o Conselho de Segurança pediu a todos os envolvidos no processo que respeitem o resultado do acto eleitoral, que decorreu em duas voltas, a última das quais no dia 28 de Novembro.



Aos poucos a Democracia vai solidificando o seu caminho, mesmo que seja pelos extremos tortuosos caminhos africanos, com os seus problemas étnicos e tribais.

Corrupção, a doença das doenças das Democracias

Dos partidos, diz que se atrasam a entregar as contas e escondem os valores do financiamento eleitoral. Do Tribunal Constitucional e da Entidade das Contas escreve que lhes faltam meios. O Grupo de Estados contra a Corrupção (Greco) revelou ontem o seu terceiro relatório de avaliação sobre Portugal. E, desta vez, analisou as contas partidárias.

A conclusão que a instituição tira é de que os partidos portugueses escondem as suas contas. E recomenda a Portugal que "tome medidas para? garantir que se torne público de forma expediente as informações apropriadas contidas nas contas partidárias anuais e das contas eleitorais". A equipa de avaliadores explica porquê num capítulo dedicado à transparência: "Os partidos não estão obrigados a tornar públicas as suas contas e [a equipa] percebeu que, normalmente, é difícil obter esse tipo de informação", assinala o grupo de avaliação.

E sublinha ainda o facto de as contas eleitorais chegarem ao Tribunal Constitucional "na prática, habitualmente, muito atrasadas". Por isso, os redactores do relatório sentiram a necessidade de escrever que "acreditavam firmemente" que "a transparência das contas partidárias e eleitorais precisa ser consideravelmente reforçada, por forma a permitir o escrutínio da opinião pública, para lá da monitorização institucional".Mas os avaliadores não se ficam por aqui. Depois de constatar que "não há obrigação de divulgação [das contas de campanha] durante o período da campanha eleitoral", o relatório defen- de que a "transparência no financiamento eleitoral ganharia significativamente se fossem elaborados relatórios em intervalos regulares sobre financiamento, em particular durante a campanha."



Algo é claro depois da leitura deste estudo - a corrupção, tal como ela é definida na lei penal, simplesmente não serve para nada. Não tem aceptabilidade social, não tem correspondência com os casos concretos: a lei positiva não consegue erradicar algo que a sociedade deve entender como algo nefasto. Bem pelo contrário, a corrupção é vista como algo normal, algo "socialmente aceite", tornando-se na doença das doenças da Democracia. A corrupção apenas pode ser resolvida, não totalmente, mas na maioria dos seus problemas endémicos, se a sociedade for ensinada e ver a corrupção como algo mau. É preciso criar um mores maiorum na sociedade portuguesa, é preciso entender que a positivação da corrupção não resolve o problema: agrava-o, porque a corrupção, sendo algo endémico na política e na sociedade portuguesa, começa nos postos de cima, alastrando-se para os postos de baixo. Urge uma nova visão da sociedade, só assim a corrupção pode ser combatida; nunca por uma mera lei positiva sem correspondência com a realidade.

Um apelo sensato de Daniel Bessa

O Banco Central Europeu (BCE) não tem condições para prolongar indefinidamente as medidas que acalmaram o mercado da dívida, avisa Daniel Bessa. A solução para a crise nacional passa por medidas muito mais drásticas do que as previstas no OE para 2011: Bessa propõe o corte do défice para os valores previstos para o crescimento.

Daniel Bessa, economista e principal rosto da Cotec deixa nesta entrevista ao PÚBLICO um olhar pessimista sobre a crise da dívida soberana e sobre as perspectivas do país para o futuro próximo. Defende soluções radicais para atacar a falta de confiança dos credores, critica a inexistência de um plano coordenado para enfrentar a crise e deixa no ar uma dura reflexão: na actual conjuntura, a economia não só não consegue sustentar as políticas sociais como se aniquila nos seus custos.



Um aviso sensato, de um economista lúcido que não está preso aos dogmas das vacas sagradas do politicamente correcto - não criticar o Estado Social. O Estado Social que atira uma geração inteira, a nossa, para a pobreza irremediável. O Estado Social que é a imagem de uma geração arrogante, incapaz de perceber que o mundo dos anos 60 e 70 já não existe, e que as fundações do Estado Social estão pela hora da morte.

Ou existe uma profunda reforma da segurança social, associada a uma ainda mais profunda reforma administrativa e política, a geração actual - a nossa, a minha geração - não tem outra opção senão emigrar. Ou apelar a uma revolta pacífica, porque a geração do 25 de Abril está a matar o nosso futuro, dia após dia, ano após ano.

O sector exportador sustenta o doente em coma

O crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre aconteceu devido ao crescimento das exportações em 9,2 por cento homólogos, que aguentaram o produto interno bruto (PIB) apesar do retrocesso da procura interna e do investimento.

Assim, o INE calcula agora em 1,4 por cento o crescimento no terceiro trimestre deste ano face ao mesmo período de 2009, e em 0,3 por cento o crescimento face ao segundo trimestre deste ano. Esta revisão em baixa acontece devido à “redução do contributo da
Variação de
Existências, reflectindo informação relativa à óptica da produção, entretanto disponível”.

O crescimento homólogo de 9,2 por cento das exportações representa uma ligeira aceleração face aos 9,1 por cento do segundo trimestre e aos 8,7 por cento do primeiro, evidenciando o bem desempenho deste sector durante o ano.



Mais um sinal da evidência gritante - a economia portuguesa, para crescer sustentadamente, deve apostar no sector exportador de bens transaccionáveis. Caso contrário, o doente continuará em coma e ameaça morrer

O dinamismo das exportações foi acompanhado de um crescimento de apenas 1,5 por cento das importações, o que fez com que a procura externa líquida contribuísse com 2,2 por cento para a evolução do PIB. Mas a redução da procura interna em 0,8 por cento homólogos fez a variação homóloga ficar em 1,4 por cento.

O bom-senso volta a imperar

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A culpa é sempre dos alemães

O presidente do eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, disse hoje que a Alemanha “rejeitou prematuramente” a sua ideia de emitir dívida conjunta por parte dos países da Zona Euro.

Numa entrevista ao jornal alemão Die Zeit, Juncker disse que a sua proposta “foi rejeitada ainda antes de ter sido estudada”, acrescentando que desta forma se criam “zonas tabu” que excluem as ideias dos outros.

Considerando que “a Alemanha tem uma visão algo simplista” destes assuntos, Juncker disse também que ao fazê-lo a maior economia da zona euro se portou “de uma forma anti-europeia”.

Para o presidente do conselho de ministros das Finanças da Zona Euro, as críticas da Alemanha de que a emissão de dívida em conjunto levaria a uma taxa de juro única são incorrectas.



Eis a questão fundamental: deve-se, ou não se deve, premiar os países incumpridores? Claro está, a culpa é sempre dos alemães, mas nunca de quem criou as condições para que os seus países estivessem num estado deplorável.

Juncker e o ministro das Finanças de Itália, Giulio Tremonti, propuseram esta semana a criação de uma Agência Europeia de Dívida. A ideia teve o apoio da Comissão Europeia bem como de Espanha e Portugal.

Já o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, mostrou-se contra, afirmando ao "Financial Times" que os governos dos países do euro devem continuar sob pressão dos mercados financeiros para sentirem a necessidade de fazerem uma gestão prudente das suas finanças públicas.

Pelos idos do Médio Oriente

A Administração norte-americana anunciou hoje ter desistido de convencer Israel a parar a colonização na Cisjordânia – a condição imposta pela Autoridade Palestiniana para retomar as negociações directas.

A confirmação, que ocorre após dois meses de impasse nas conversações, foi feita por um dirigente da Casa Branca. “Após várias consultas chegámos à conclusão de que um prolongamento da moratória [à colonização] não constitui a melhor base para o reinício das negociações directas”, disse o responsável, que falou aos jornalistas sob condição de anonimato.

A anterior moratória, decretada sob pressão dos EUA, terminou a 26 de Setembro, já depois do reinício das negociações entre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Israel deixou claro que não iria renovar a medida, muito contestada pela direita e grupos de colonizadores, ao que Abbas respondeu anunciando a suspensão das conversações.

O dirigente norte-americano explicou que os esforços de Washington se concentrarão agora nos “problemas centrais” do conflito, nomeadamente a definição de fronteiras ou a situação de segurança. “Tentaremos encontrar outras formas de renovar as negociações de paz”, explicou o responsável, adiantando que na próxima semana negociadores palestinianos e israelitas são esperados em Washington para “consultas”.



Será que o processo de paz no Médio Oriente está a caminho de um fim inevitável? Para o bem da região espera-se que não... Mais uma vitória do lobby israelita em Washington, haverá dúvidas? Os anos passam, mas as tradições permanecem

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

China, não somente pujança económica, mas também militar

MISSILES have been a pillar of China’s military modernisation. After awesome demonstrations of American firepower, in Operation Desert Storm in the first Gulf war, and then in 1996, when the United States sailed two carrier strike groups close to Taiwan to deter Chinese aggression, China felt that it could no longer depend on sheer manpower for its defence. So it has invested heavily in the strength and technical sophistication of its missiles. The Pentagon has described China’s programme as “the most active land-based ballistic- and cruise-missile programme in the world”.


O poder asiático não se resume a uma pujança económica baseada num sector exportador incomparável, e uma mão-de-obra extremamente barata (por vezes, explorada nas terras mais interiores). Também se deve falar de um poder militar chinês, que a este ritmo, não tarda poderá ser o poder dominante da região. Não haja qualquer tipo de dúvida, num horizonte temporal de 10 a 15 anos, o eixo mais poderoso em termos de importância geo-estratégica irá desviar-se para a Ásia e concretamente para a China. Os EUA que se cuidem....

Insólito e inadmissível

Em face do sucedido em RGA, e movido pela ausência de resposta (a que aliás já aludimos neste espaço) à questão de quantos vogais pode afinal o Conselho Fiscal ter, hoje me dirigi a um vogal do órgão, para procurar ser esclarecido.

Perguntei a João Galhofo quantos vogais poderia ter o órgão que ocupa, dado o status quo descrito em RGA contrariar o disposto no artigo 43.º/1 dos E.A.A, e que o sujeito visado afirmou, em RGA, ser contradito por outra disposição que não soube nomear. Questionei, assim, João Galhofo sobre que enunciado normativo se trataria.

Da sua parte, obtive uma atitude inqualificável, que só a descrição pura dos factos poderá elucidar o leitor da dimensão:

Disse-me que não devia explicações, que se tinha dúvidas, que tivesse perguntado em RGA ou que perguntasse numa próxima. Rematou com um "agora já tens tema para o blog".

Se o conteúdo é, por si só, anómalo, complemente-se com expressões como "baixa a bolinha".



Vergonhoso, inadmissível, ridículo. Esta não é a postura que um aluno, democraticamente eleito, deve ter perante os alunos que representa. Especialmente, tratando-se de um órgão fiscalizador da AAFDL.

A demissão de João Pedro Correia Galhofo é um sinal de humildade democrática. Pede-se e reafirma-se, vincadamente, que a sua demissão é serviço prestado aos alunos.