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sexta-feira, 10 de abril de 2009

The missing piece

"Could you fill the blanks in my history"... Buracos, feridas saradas, espaços vazios na memória do meu coração que precisam de ser novamente preenchidos... Uma incompleitude difícil de suportar, uma missing piece no puzzle interno que espelha a minha alma, um sofrimento contínuo à espera da tua decisão... Lágrimas correm escritas pelo punho sentimental interior, rasgando rios de sofrimento porque estás longe... demasiado longe... desenhadas por um sentimento ardente que arde baixinho, a necessitar do seu oxigénio indispensável... Um toque, um sorriso, um olhar, gestos e atitudes, um trabalho e um esforço contínuo no sentido de te convencer... De te fazer ver... Que o que sinto, não mais é do que um momento de sinceridade intemporal que resiste à dura erosão das saudades, resiste através da esperança e de um sonho que impele a chama que arde por ti... Um sentimento, uma espera, um "gosto muito de ti", o elemento essencial que és para completares o que, ainda, está incompleto...

2009-04-10
01h55

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Too far away

Estás muito longe.... demasiado longe.... A tua ausência arrepia-me e provoca-me angústias, a minha concentração deteriora-se ao ponto de apenas tu apareceres na minha mente... Os dias passam e tu nao voltas da tua ausência prolongada, noites passo acordado a pensar em ti, na falta que fazes, na necessidade de falar contigo e de estar contigo, o sofrimento de não poder fazer essas duas coisas... Onde estás tu, luz do meu coração? Ponto de equilíbrio para o meu desequilíbrio, chama adormecida há demasiado tempo dentro de mim que precisa de acordar... Olho para as estrelas à tua procura mas não te encontro, apenas pontos e mais pontos pequenos na sua imensidão e minúsculos na sua distância inalcançável. Tal como tu, estás inalcançável, demasiado longe para eu poder aguentar estas saudades... Preciso que voltes, preciso que retornes para o meu lado, preciso do elemento essencial que és para voltar a estar completo... As horas passam, os dias correm lânguidos na sua preguiça atroz e continuo sem ver o dia em que te posso novamente vislumbrar... Saudades que corroem por dentro, necessidades que percorrem as minhas veias, pensamentos que invariavelmente vão ter contigo, mesmo que continues longe.... demasiado longe para o meu coração...

terça-feira, 3 de março de 2009

Adormecimento

Um sono prolongado que atingiu o fogo que ardia, um sentimento que era vivo mas não correspondido. Uma luz, a única luz, que pode reavivar a chama e voltar a alimentar o fogo adormecido. Uma necessidade cada vez maior, uma espera que desespera, que faz doer o coração pela não concretização. Uma espera paciente apesar dos obstáculos que aparecem. Um regresso ao passado consciente, a necessidade intrínseca de reconhecer o que ficou adormecido tempo demais. Uma brisa fresca corre pela atmosfera, sussurra-me algo ao ouvido e eu adormeço tranquilo por saber que é mútuo. Mas o sono é perturbado por algo, as saudades daquele olhar, daquele sorriso, daquele toque há demasiado tempo escondido no passado. Um olhar teu, umas simples palavras tuas e o fogo que espera por ela reacende-se para prosperar. Um simples querer, uma simples vontade e a chama volta a ter a sua dona, aquela que desapareceu tempo demais. Uma luz que o coração necessita, um reacordar inevitável, o reconhecimento de um sentimento que nunca morreu. Basta querer, basta lutar e a dona voltará a ter o coração nas suas mãos. A luz sabe que é necessária e indispensável para o fogo reacordar mas o coração não percebe como é capaz de aguentar tanta espera... O fogo espera pela luz, como sempre esperou...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Inédito [6ª parte]

A noite corria silenciosa no seu reino tranquilo, indiferente às almas humanas que vagueavam cobertas pelo seu manto escuro. A rua dormia imperturbável, três candeeiros irradiavam uma luz amarela que iluminava pedras da calçada e raros passos humanos. Um carro surgiu acompanhado pela forte luz branca dos seus faróis e as rodas assinalaram um piso de gravilha. Os travões chiaram levemente, o carro parou o seu movimento e o ruído proveniente das rodas na gravilha cessou. O motor permaneceu mais alguns segundos a roncar até ser desligado pela vontade humana. Nesse mesmo instante os faróis apagaram-se.
Ao fundo, no início da rua, passos sonoros abriam o seu caminho. Saltos altos anunciavam um andar feminino, calmo e decidido apesar das irregularidades da calçada. Ao primeiro candeeiro um cabelo longo, castanho e solto, revelou-se por instantes até ser escondido novamente pelo manto da noite. O passo feminino aumentava progressivamente o seu volume à medida que subia a rua, ao segundo candeeiro um nariz pequeno, olhos castanhos de tonalidade clara e uma face simples branca a cair para o moreno mostrou-se ao munto pequeno daquela rua. O passo continuava o seu caminho imperturbável e imune ao único transeunte que desafiou partilhar o mesmo passeio em contra-mão, e ao carro que permanecia incógnito no seu canto. Ao terceiro candeeiro, o que lançava uma luz mais forte e espaçosa, apareceu um vestido preto liso tapando até ao início do joelho e um decote aberto deixando à vontade aquilo que escondia. O passo feminino entrou novamente no escuro e o som que os saltos altos produziam na calçada eram ritmicos e o som mais nítido do que nunca. De repente o passo parou, uma mala desceu silenciosamente pelo braço nu e uma mão remexeu no seu interior. Passados alguns segundos um pequeno e insignificante molhe de chaves surgiu por detrás do manto da noite e tilintando acompanhando o movimento da mão e da mala a subir de novo o braço. A figura feminina do vestido debruçou-se e o molhe de chaves voltou a tilintar ao som da abertura da porta. Ela abriu-se e os passos femininos entraram no seu prédio.
As chaves roçaram na parede rude interior enquanto a mão procurava o interruptor da luz interna, que foi aberta assim que o botão foi encontrado. Os saltos altos voltaram a ecoar assim que as duas pernas simples e discretas subiram dois degraus e caminharam na direcção do elevador. As chaves voltaram a tilintar quando o dedo onde estavam anichadas subiu pelo ar e carregou no botão, chamando pelo elevador. O ascensor estava no último andar, curiosamente o seu, o que lhe dava largas dezenas de segundos à espera. Passou a mão direita pelo cabelo espalhando-o e levou os dedos à boca, mordendo a pele no canto das unhas num tique imparável. Com um pequeno som o elevador anunciou ter chegado ao rés-do-chão e a figura feminina abriu a porta e entrou. Desta vez as chaves não tilintaram , foi a mão direita que subiu até ao botão do seu andar. O ascensor começou o seu movimento ascendente, a mão esquerda divertia-se a remexer nas chaves enquanto o elevador não chegava ao seu destino final. Mais um pequeno sinal sonoro e a figura feminina voltava a abrir a porta do elevador. Os seus passos ecoaram no corredor branco e caminhou para a sua direita, na direcção da rua. A porta do seu apartamento foi aberta com um novo tilintar das chaves e a figura feminina fechou a porta calmamente atrás de si.
Dentro do seu apartamento estava escuro, apenas a luz dos candeeiros iluminava parcamente o seu interior. Deixou as chaves caírem dentro de um prato de vidro em cima de uma pequena mesa de madeira e pousou a pequena mala preta ao lado. Debruçou-se e com uma das mãos retirou um dos sapatos que deixou cair no chão. Tirou outro e também deixou-o cair. Pousou os dois pés finalmente livres no chão frio e soltou um longo suspiro de alívio. Caminhou pelo corredor de entrada e virou à sua esquerda, entrando dentro do seu quarto. A janela estava fechada mas os estores abertos deixavam que a luz artificial nocturna entrasse e iluminasse parte do seu quarto. Sentou-se à beira da cama vazia e solitária e massajou os seus pés doridos. Levantou-se e dirigiu-se para uma porta que estava à sua frente, abriu-a e os seus pés pisaram azulejos frios que lhe causaram arrepios momentâneos. Inclinou-se sobre a banheira e abriu a torneira de água quente enquanto se preocupava com que ela não escapasse. Saíu da casa de banho, deixando a porta aberta com o som da água ao fundo e caminhou pelo quarto. À sua frente estava uma aparelhagem, abriu a caixa de entrada dos cd's e colocou um, deixando-o como música ambiente. Despiu o vestido, deixando-o escorregar até ao chão. À luz dos candeeiros um soutien caiu no chão seguido por um fino fio dental. A figura feminina fechou os olhos e enrolou os dedos à volta do cabelo, apreciando o cd da Ministry of Sound. A luz artificial criada pelo homem deitava uma parca e fina luminosidade sobre uma figura feminina nua que caminhou pelo quarto até à casa de banho, fechando a porta atrás de si antes de abrir a luz.
Dentro do carro, depois do motor ter sido silenciado pela vontade humana, uma respiração calma e uns olhos negros fitavam a rua à sua frente. Os dedos da mão direita lançaram-se a um bolso interior e retiraram uma caixa de charutos. Deixou escorregar o charuto para fora do seu abrigo e levou-o à boca prendendo-o entre os lábios. Ao fundo um vulto feminino com um vestido preto liso subia a rua num passo cada vez mais audível. Pegou num isqueiro e lançou-se à tarefa de acender o charuto até o ter da maneira como gostava. Enquanto o fazia os seus olhos não largavam a figura feminina que subia a rua, parava, abria a porta e que entrava no seu prédio. O vulto dentro do carro deliciou-se com os primeiros bafos no seu charuto irrepreensivelmente aberto enquanto a figura feminina abria a luz do prédio e entrava no elevador. As dezenas de segundos passavam, o charuto era fumado lenta e deliciosamente e no alto do seu andar, a figura feminina despia-se e preparava-se para o seu banho. O vulto dentro do carro não conseguia ver mas sabia precisa e detalhadamente o que se passava por detrás daquela janela. Mais um minuto e uma luz acendeu-se na pequena janela da casa de banho. O vulto masculino encostou-se ao seu assento e permaneceu a fumar lentamente o seu charuto, enquanto olhava para a janela. Por entre os dedos da mão direita, escondida na plena escuridão, uma caneta desfilava e rodava no vôo silencioso.

2009-02-11
01h48

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Um livro inacabado... [pág.324]

Eleth permaneceu imóvel junto da sua cama e perto da mesa devastada pela fúria de Peroth. O seu olhar ficou fixo na porta recém fechada praticamente desaparecida por detrás da luminosidade quase inexistente, a noite estava a um passo de ter o reino absoluto. A sua respiração era lenta e pausada, a sua mente parecia parada sem capacidade de reacção e a sua boca estava ligeiramente aberta, de espanto. Eleth engoliu em seco e o seu olhar começou a movimentar-se pelo quarto. À sua frente estavam os destroços do último assomo de raiva do seu filho, uma mesa devastada, papéis atrás de papéis espalhados pelo chão, um espelho partido contra a sua cama, brincos e pulseiras feitas pela sua mãe durante a infância e que conservava com carinho também estava pelo chão, a caixa que as albergava estava aberta, violada por uma fúria incontrolável.
A sua mente recomeçou a trabalhar, a sua respiração começou a descontrolar-se e o seu espíriro iniciava o processo de assimilamento, de reacção perante a fuga inesperada. Um mau estar interior aumentava de intensidade, o coração abria mil feridas saradas por instantes à espera do golpe final, um despedaçar contínuo em bocados infinitos, um edifício inteiro que se desmoronava num simples pó que alastrava pelas suas veias, contaminando os seus músculos e chegando até à orla dos seus olhos. As pernas começaram a fraquejar, o seu olhar revia e revia a destruição à sua frente e Eleth deixou-se cair sobre os seus joelhos. A barragem de água acumulava-se mais e mais na fronteira dos seus olhos com a pele, a respiração tornava-se num soluçar e de repente as lágrimas começaram a jorrar. Eleth expressava finalmente, tranquilamente e isolada, o seu sofrimento interior, o resultado da tortura da pessoa que mais amava em toda a sua vida, um choro inevitável fruto do segredo que trazia desde o momento em que Peroth tinha nascido e que Sôphôz lhe tinha contado, com a mãe ao lado.
O seu choro era silencioso e calmo, o seu olhar estava embargada e fixo no mesmo sítio, no mesmo local do chão do quarto, a mesma peça de madeira escura onde estava um simples desenho, numa pequeníssima folha de papel, que Peroth lhe tinha feito no sexto aniversário e que a sua fúria lhe tinha revelado. Um desenho onde eles os dois apareciam, em simples linhas toscas de criança, com as mãos agarradas, as duas faces com um enorme sorriso e um "amo-te mãe" escrito por debaixo das duas figuras. Eleth nao aguentou mais e deixou-se arrastar até ficar deitada no chão, o choro era incontrolável, as feridas sangravam mais do que nunca. Sabia que era um sofrimento que tinha obrigatoriamente de passar, sabia que Peroth nunca iria compreender o porquê de ela lhe mentir, mas era uma via sacra da qual não podia fugir, era o seu destino e não o podia alterar. E então a sua mente lembrou-se do significado das últimas palavras do seu velho tutor.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Informação

Devido a um problema técnico foi impossível continuar no endereço antigo. Como tal foi criado um novo, mesmo nome, para manter o mesmo espírito ... Procedi, nos textos anteriores à republicação dos mesmos, e assim continuar no mesmo fio condutor...

Os comentários já produzidos, infelizmente, não constam.
As minhas desculpas por tal

Inédito [5ª parte]

O carro parou no sítio mais negro que se podia encontrar na rua. O candeeiro mais próximo distava a cinquenta passos e soluçava por ter um lampejo de luz por cinco segundos. Uma mão invisível, escondida pelo breu da noite rodou a chave da ignição e o motor adormeceu numa hibernação temporária. As ruas estavam desertas de vida, de luz, de sons, um buraco negro citadino fazia-se sentir naquele pequeno espaço onde um condutor enigmático estacionou um carro misterioso. Finalmente o candeeiro teve os cinco segundos de luz contínua que tanto ansiava, o suficiente para descobrir um carro cinzento e pedaços de dedos que voavam no espaço interior do automóvel.
A sua respiração era suave e silenciosa fruto de uma paz interior que gostava de prolongar. Naqueles cinco segundos ténues, os dedos da sua mão direita foram revelados a dirigirem-se para o cimo do volante. Os seus ouvidos captaram o tamborilar vigoroso e paciente dos dedos no volante, os seus olhos permaneciam escondidos por detrás de um pedaço de pele. A sua mão esquerda remexeu num dos bolsos das calças à procura de algo. Os seus olhos abriram-se imperceptíveis por detrás do cobertor nocturno estimulados por algo dentro do bolso. Algo foi retirado, os dedos da mão esquerda trabalhavam mudos rodando o início de algo. A certa altura os dedos pararam de desenroscar e pousaram algo no colo masculino, algo saiu de dentro de algo com um som milimétrico. Novamente o candeeiro voltou a ter cinco segundos de luz e um tubo branco "Gran Corona" revelou-se. A luminosidade desapareceu e com ela a possibilidade de ser descoberto. Os dedos da mão esquerda pegaram em algo e colocou-o por entre os lábios, os dedos da mão direita pararam de tamborilar e esticaram-se para apanhar algo perto do volante. O barulho de uma pedra de isqueiro fez-se ouvir e com ele surgiu uma chama a bailar. Colocou-a na ponta do charuto e imediatamente inúmeros pontos laranja pontilharam a ponta do produto cubano. A chama era ténue e não conseguiu revelar mais do que dois olhos castanhos, a ponta de um nariz, dedos curvilíneos a rodar o charuto e o próprio a ser queimado.
A rua continuava literalmente morta, o buraco negro continuava a sugar todo o tipo de vida e de luz que o candeeiro se engasgava por obter. A única excepção era um pequeno ponto laranja perdido no meio da escuridão e sem conseguir iluminar algo. O ponto laranja movimentou-se dentro do carro e por segundos ficou mais brilhante queimando folhas de "El Comandante". Assim que sentiu o bafo do charuto fechou os olhos e deixou-se contaminar por aquela névoa que o matava à medida que o relaxava. Uma noite atípica de trabalho iria começar e era daqueles dias nocturnos que não lhe apetecia mesmo nada ter. Já tinha observado bastante, reunido todos os pormenores, todos os vícios, todas as imperfeições possíveis e imagináveis que pudessem deitar tudo a perder. O charuto acalmava-o mas não se comparava a outra coisa, algo que ele necessitava urgentemente como uma droga viciante para o acompanhar pelos dedos enquanto pensava. E nesse preciso momento ele pensava enquanto o seu olhar cravava-se em algo perdido no horizonte mas que ele sabia perfeitamente que estava lá. No fundo o espesso manto nocturno era a sua cobertura ideal e o disfarce preferido, sem a sua ajuda nem sequer se tinha dado ao trabalho de sair de casa.
Mais uma vez a ponta laranja do charuto acendeu-se queimando ainda mais folhas de Havana. No mesmo momento, inesperadamente, o candeeiro conseguiu atingir dez segundos de luz pública forte. Nesse raro espaço de tempo o carro cinzento misterioso tornou-se num banal Peugeot 206 e o condutor incógnito, permaneceu incógnito. À medida que puxava pelo charuto fez com que o banco descaísse totalmente salvando-o da luz. Afinal, tanto tempo de observação tinha-lhe dado o conhecimento exacto do estado de coma do candeeiro e as raras vezes em que ele recuperava a consciência. Assim que o candeeiro apagou-se voltou a subir o banco, a tamborilar os dedos da mão direita no volante e a colocar o charuto entre os lábios reavivando ainda com mais força a pequena ponta laranja. Nesse instante os olhos castanhos foram iluminados, a olhar para um exterior negro e vago e assim que a chama laranja atingiu o olhar, este transformou-se e uma névoa vermelha passou pelos olhos, uma nuvem vermelha sangrenta.

2008-11-02
03h52