Ele despertou do seu torpor, com um violento bafo de areia na cara. Esfregou os olhos e recuperou os seus sentidos. O Coliseu estava cheio, sem um único lugar vazio, ao seu lado um velho romano assistia extasiado ao espectáculo que decorria. Os seus olhos estavam esbugalhados de êxtase, as suas feições contorciam-se à velocidade das hormonas humanas mais selvagens, um sorriso lunático cravava-se a casa segundo. Em baixo na arena, dois gladiadores lutavam contra a morte, degladiavam pela glória popular sedenta de sangue. O Coliseu fervilhava num barulho constante, o público vibrava a cada golpe, urros uivavam por cada gota de sangue espalhada pela arena escaldante. Um cheiro a suor, fedor de morte, de sangue coalhado seco, vermelho na arena, inviadia a atmosfera. O lado selvático cresceu quando um dos gladiadores cortou uma das mãos ao outro. O velho que se sentava ao seu lado levantou-se de rompão, erguendo os braços num grito louco de êxtase, onde se lia o prazer da morte personalizada. A mão do gladiador estava empapada em sangue, repousada no chão, o gladiador cambaleava em redor dum pântano vermelho. Sentado do seu lugar, ouviu o barulho da multidão crescer sonoramente, gritava-se pela morte, exigia-se sangue e fedor putrefacto. O gladiador sem mão ajoelhou-se sem forças e foi então que ele o viu, o Imperador, na sua impecável túnica branca, a levantar-se e a estender o braço. Após uma leve hesitação, o polegar baixou, a multidão silenciou-se, esperando. Algo brilhante viajou pela atmosfera e uma cabeça rolou. O culminar da tempestade popular atingiu o seu limite, uma enorme onda de raiva alegre e regozijada encheu-lhe os ouvidos, a morte era celebrada. Ao seu lado, no momento em que a cabeça rolou lá em baixo na arena, o velho rugiu de êxtase, os seus olhos bebiam o sague espalhado em gotas e poças, a língua passou demoradamente pelos lábios, saboreando. O ritual cumpria-se e ele sabia que não lhe podia escapar.
Local de divagações de vária índole. Política, Filosofia, Economia, Religião, Música, Cinema, mera escrita pessoal. Um conjunto de impressões individuais ao sabor da inspiração do momento, apenas com uma preocupação: o politicamente incorrecto, sinal de sanidade mental. Der Hexenhammer - MALLEUS MALEFICARUM, Maleficas, & earum hæresim, ut phramea potentissima conterens
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Inédito [7ª parte]
A noite corria silenciosa pela rua onde o sussurro da escuridão se fazia sentir, na sua imensidão calma. Parcas luzes iluminavam a vida nocturna escondida por detrás daquele manto negro, espesso como o tapete persa, mas ao mesmo tempo transparente, qual tecido de cetim leve que escorrega pela pele de forma suave e doce. Poucos ou nenhuns passos faziam-se ouvir aquela hora da noite, um ou outro mais veloz que assinalava a pressa de chegar a casa cogitando ao mesmo tempo razões infundadas para o atraso inaudito. Outro mais lento chamou-lhe a atenção, eram com certeza sapatos altos, até arriscaria que eram muito parecidos com uns que tinha dentro do armário e que apenas tinha usado uma vez, numa tentativa frustrada de sucesso nocturno dentro de quatro paredes iluminadas por um som estridente, a que muitos apelidam de house music. Concentrou toda a sua atenção naquele passo lento, naquele som de saltos altos finos tocarem de forma ritmica no chão, qual compasso com o bater do seu coração. Um bater pesado que ainda reflectia o stress do final do dia, e que a fazia fechar os olhos esperando que eles nunca mais abrissem, ao mesmo tempo que a tristeza da sua imprudência, alimentada pela sua ingenuidade precocemente abatida, se apoderava do seu estado de espírito, contaminando a sua alma.
Os seus ouvidos ocuparam-se com o som daquele passo lento e pesado até que ele desapareceu, ao fundo naquela esquina da rua da sua casa onde há muitos anos sentiu o primeiro toque nos seus lábios. Esse breve pensamento, escondido por entre a poeira da sua memória feminina, fê-la sorrir por segundos, tempo imemorial onde o seu belo sorriso surgiu escondido por entre a escuridão total do seu quarto, impossível para alguém se apaixonar por ele. Mas rapidamente os instantes de felicidade desapareceram para finalmente o seu espirito se deixar inundar pelo sentimento de tristeza. Respirou fundo, num longo suspiro e deixou-se escorregar pela colcha suave até se deitar de costas. Contou até 10 e levantou-se, ficando de pé ao mesmo tempo que levava as mãos ao alto espreguiçando-se preguiçosamente. Deixou cair os braços, ao mesmo tempo que compunha o seu cabelo deixando-o cair pelos seus ombros descobertos. Por detrás da espessa cortina negra da noite, totalmente coberta no seu anonimato, o seu corpo nu passeava-se pelo quarto completamente imune a olhos curiosos que pudessem apreciar uma espécie de imperfeição imperfeita dos seus contornos redondos e bem definidos.
Era uma das suas noites preferidas, apesar da tristeza que a acompanhava. O calor tinha descido à cidade, fazendo com que Lisboa se tornasse ardente e insuportável, e a noite não tinha escapado a essa malfadada sorte. Não é que não gostasse do calor mas para si, tudo o que era demais, enjoava-a de uma forma bastante aguda. O passeio pelo quarto foi errático, apenas percorrendo cada pedaço de soalho de madeira como se fosse uma pedra isolada no meio de uma falésia, saltando de um em um, de forma graciosa e segura. E ao mesmo tempo que o fazia os seus olhos abertos, que apenas viam a escuridão, imaginavam a luz do dia e aquilo que poderiam ver. E ao mesmo tempo sentia-se livre, sem nada que prendesse os seus movimentos, que lhe fizesse sentir que tinha o cérebro amarrado a qualquer preconceito que hoje é moda e que amanhã é ordinário. No fundo, a nudez do seu corpo dava-lhe a liberdade que a sua pintura, que a sua fotografia, que a sua cultura, que os seus homens não lhe davam. E a noite era para si, não mais do que, o seu espaço íntimo onde se podia sentir, tão e simplesmente, livre.
Os seus ouvidos ocuparam-se com o som daquele passo lento e pesado até que ele desapareceu, ao fundo naquela esquina da rua da sua casa onde há muitos anos sentiu o primeiro toque nos seus lábios. Esse breve pensamento, escondido por entre a poeira da sua memória feminina, fê-la sorrir por segundos, tempo imemorial onde o seu belo sorriso surgiu escondido por entre a escuridão total do seu quarto, impossível para alguém se apaixonar por ele. Mas rapidamente os instantes de felicidade desapareceram para finalmente o seu espirito se deixar inundar pelo sentimento de tristeza. Respirou fundo, num longo suspiro e deixou-se escorregar pela colcha suave até se deitar de costas. Contou até 10 e levantou-se, ficando de pé ao mesmo tempo que levava as mãos ao alto espreguiçando-se preguiçosamente. Deixou cair os braços, ao mesmo tempo que compunha o seu cabelo deixando-o cair pelos seus ombros descobertos. Por detrás da espessa cortina negra da noite, totalmente coberta no seu anonimato, o seu corpo nu passeava-se pelo quarto completamente imune a olhos curiosos que pudessem apreciar uma espécie de imperfeição imperfeita dos seus contornos redondos e bem definidos.
Era uma das suas noites preferidas, apesar da tristeza que a acompanhava. O calor tinha descido à cidade, fazendo com que Lisboa se tornasse ardente e insuportável, e a noite não tinha escapado a essa malfadada sorte. Não é que não gostasse do calor mas para si, tudo o que era demais, enjoava-a de uma forma bastante aguda. O passeio pelo quarto foi errático, apenas percorrendo cada pedaço de soalho de madeira como se fosse uma pedra isolada no meio de uma falésia, saltando de um em um, de forma graciosa e segura. E ao mesmo tempo que o fazia os seus olhos abertos, que apenas viam a escuridão, imaginavam a luz do dia e aquilo que poderiam ver. E ao mesmo tempo sentia-se livre, sem nada que prendesse os seus movimentos, que lhe fizesse sentir que tinha o cérebro amarrado a qualquer preconceito que hoje é moda e que amanhã é ordinário. No fundo, a nudez do seu corpo dava-lhe a liberdade que a sua pintura, que a sua fotografia, que a sua cultura, que os seus homens não lhe davam. E a noite era para si, não mais do que, o seu espaço íntimo onde se podia sentir, tão e simplesmente, livre.
domingo, 12 de julho de 2009
Um livro inacabado... [pág.99]
Abriu os seus olhos enquanto o seu corpo pemanecia quieto dentro da manta, esperando que o barulho à volta do seu quarto desaparecesse. Ouviu os últimos passos a desaparecerem ao longe e saiu debaixo da roupa pesada que a cobria do frio nocturno percorrendo uma pequena distância até a um armário rente a uma das paredes. Abriu as duas portas e enfiou os seus dois braços até uma pequena abertura que se situava na ponta inferior esquerda. Baixou-se apoiando o seu jolho nu no chão do quarto e rodou um objecto que fez um clique ao abrir um esconderijo. Dentro dele retirou um leno de pano castanho escuro, um chapéu de palha, um elástico que a sua mãe lhe tinha oferecido antes do casamento, um casaco de couro preto de mangas compridas e umas calças de pele justas ao corpo. Despiu o seu vestido de noite junto à janela aberta, a luz lunar banhava o seu corpo nu voluptuoso que era reflectido pelo espelho que estava à sua frente. Por momentos ficou a contemplar os contornos do corpo espelhado naquele grande pedaço de vidro liso, a observar as formas que sobreviviam ao tempo e que tanto atraíam os homens. Pegou nas calças de pele e vestiu-as, agarrou no casaco de couro e cobriu a parte de cima do corpo com ele apertando-o à pele. A sua mão direita alcançou o elástico oferecido, enrolou-o à volta do seu cabelo feminino apanhando-o com destreza. Pegou no pano castanho escuro e cobriu o seu cabelo loiro, escondendo-o. Colocou o chapéu de palha completando o disfarce. Voltou a olhar para o espelho para ver o seu corpo banhado pela luz nocturna. As calças já não estavam tão justas como antigamente, a idade tinha-a emagrecido. O casaco ajustava-se que nem uma luva às formas proeminentes do seu peito realçando-as, o que a deixou parcialmente desanimada, queria passar despercebida. Ajustou o cabelo preso pelo elástico ao pano que o cobria e compôs o chapéu de palha para impedir que algum fio loiro se visse fora do sítio. Sorriu ao ver a sua figura, lembrava-se da sua juventude quando brincava aos disfarces e perceber do jeito que tinha para os fazer. Passou amão uma última vez pela ponta do chapéu, compondo-o, e saiu do quarto.
Os corredores estavam vazios de vida humana e as outras divisões acompanhavam a noite no seu torpor sonolento silencioso. Os seus pés deslizavam sobre o soalho de madeira coberto a toda a largura por uma carpete vermelha, os seus passos eram controlados ao milímetro para não emitirem nenhum barulho que a revelasse. Os seus olhos rapidamente se habituaram à escuridão e os seus ouvidos estavam atentos a qualquer som que pudesse vir dos corredores laterais. Percorreu a longa distãncia que separava o seu quarto da escadaria principal num ápice aproveitando o seu longo conhecimento daquelas paredes. Desceu as escadas sem olhar para os pés, os seus olhos perscrutavam a todo o instante cada esquina e cada corredor. Chegou à porta principal do palácio e abriu-a com cuidado para que não rangesse. Ultrapassou a soleira da porta e fechou-a com o mesmo cuidado. Caminhou três passos e sentiu o fresco daquela noite a percorrer as suas narinas.
Os corredores estavam vazios de vida humana e as outras divisões acompanhavam a noite no seu torpor sonolento silencioso. Os seus pés deslizavam sobre o soalho de madeira coberto a toda a largura por uma carpete vermelha, os seus passos eram controlados ao milímetro para não emitirem nenhum barulho que a revelasse. Os seus olhos rapidamente se habituaram à escuridão e os seus ouvidos estavam atentos a qualquer som que pudesse vir dos corredores laterais. Percorreu a longa distãncia que separava o seu quarto da escadaria principal num ápice aproveitando o seu longo conhecimento daquelas paredes. Desceu as escadas sem olhar para os pés, os seus olhos perscrutavam a todo o instante cada esquina e cada corredor. Chegou à porta principal do palácio e abriu-a com cuidado para que não rangesse. Ultrapassou a soleira da porta e fechou-a com o mesmo cuidado. Caminhou três passos e sentiu o fresco daquela noite a percorrer as suas narinas.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O ninho voltou a acolher o seu filho pródigo
Por vezes te podes perguntar, "porquê eu?". Porque a imperfeição pode tornar-se numa perfeição imperfeita, onde a paixão surge quando menos se espera. No fundo equilibras a balança desequilibrada que sabes existir dentro de mim, assim aconteceu de forma natural e inesperada. E assim te tornaste importante, assim ocupaste e ocupas o meu coração, de maneira a que te posso dizer que te adoro muito...
Quem és tu? Humm... É uma rapariga complicada, deve-se admitir, porém não tão complicada apesar dos seus dias. O egocentrismo faz parte de si própria porém é capaz gozar com isso de forma a que o torna bastante divertido, não se tornando um defeito. A impulsividade é um dos seus pontos mais fortes, um dos seus traços mais distintos e notórios, que levado a um extremo tal que pode provocar mazelas interiores, quiçá mortais, para quem a enfrenta. Não obstante é capaz de ser amiga para quem é seu amigo, portadora de um coração largo capaz de albergar várias pessoas, porém reage mal quando a sua confiança é atraiçoada... Mas isto é só o início, porque há a outra parte, aquela que me toca mais...
O teu toque, o teu abraço, aquele teu sorriso que me derrete o coração, aquele teu olhar fixo que por vezes é acompanhado de um outro sorriso ligeiro teu. Um carinho teu, um doce beijo teu, toque dos teus lábios que suaves se fundem nos meus, um simples acariciar que demostra que, tal como eu, ambos sentimos o mesmo. Uma palavra... complementaridade... Outra palavra... querer... Uma ideia... valer a pena... Aquela estrela que ilumina as noites mais escuras, aquela fonte que jorra um pequeno riacho de água que alimenta o meu coração, aquela jóia silenciosa que repousa dentro de mim, aquele ninho onde me sinto bem. Onde te tornaste indispensável. No fundo... a visão apaixonada de um namorado apaixonado sobre o teu ser. A minha principesca...
Quem és tu? Humm... É uma rapariga complicada, deve-se admitir, porém não tão complicada apesar dos seus dias. O egocentrismo faz parte de si própria porém é capaz gozar com isso de forma a que o torna bastante divertido, não se tornando um defeito. A impulsividade é um dos seus pontos mais fortes, um dos seus traços mais distintos e notórios, que levado a um extremo tal que pode provocar mazelas interiores, quiçá mortais, para quem a enfrenta. Não obstante é capaz de ser amiga para quem é seu amigo, portadora de um coração largo capaz de albergar várias pessoas, porém reage mal quando a sua confiança é atraiçoada... Mas isto é só o início, porque há a outra parte, aquela que me toca mais...
O teu toque, o teu abraço, aquele teu sorriso que me derrete o coração, aquele teu olhar fixo que por vezes é acompanhado de um outro sorriso ligeiro teu. Um carinho teu, um doce beijo teu, toque dos teus lábios que suaves se fundem nos meus, um simples acariciar que demostra que, tal como eu, ambos sentimos o mesmo. Uma palavra... complementaridade... Outra palavra... querer... Uma ideia... valer a pena... Aquela estrela que ilumina as noites mais escuras, aquela fonte que jorra um pequeno riacho de água que alimenta o meu coração, aquela jóia silenciosa que repousa dentro de mim, aquele ninho onde me sinto bem. Onde te tornaste indispensável. No fundo... a visão apaixonada de um namorado apaixonado sobre o teu ser. A minha principesca...
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Livro fechado [pág.58]
Eleth afastou imediatamente Melith empurrando-a como se estivesse a falar com alguma criatura maléfica que a insultava com a sua presença. Ela caminhou para trás, passo a passo a sua boca abria-se, os seus olhos esbugalhavam-se, a sua cabeça abanava e sua voz murmurava um "não" sumido. As suas mãos foram à sua boca, um choro impulsivo irrompeu vindo dentro de si, das profundezas da sua alma, o seu corpo encostou-se a uma árvore próxima e um grito desumano e magoado encheu o espaço circurdante. Eleth ajoelhou-se num choro compulsivo e imparável, um grito enchia o ar com toda a força dos seus pulmões, o mundo desabava aos seus pés, perdia os seus entes mais queridos. Não queria acreditar no que tinha ouvido, tudo o que ela temia, tudo o que ela sabia aconteceu tragicamente, ela sabia e nada o fez para o impedir. O seu choro era desumano, audível, entristecia as plantas que a rodeavam, feria os ouvidos de quem a rodeava, sangrava os corações de quem assistia. Melith e o soldado eram incapazes perante tal demonstração de raiva, tristeza, angústia, dor, sofrimento, tudo junto num só choro, num só sofrimento concentrado naquele pequeno pedaço de relva à sombra de uma árvore. O mundo de Eleth desabava aos seus pés, tudo o que ela amava desaparecia num ápice de um segundo, de palavras ditas e proferidas em que cada letra era uma facada no seu coração e na sua alma. O seu choro não parava, cada soluço era um grito que ela expelia para o mundo exterior vindo da profunda dor que rasgava o seu ser, que estropiava a sua alma de qualquer vontade de viver que remotamente pudesse subsistir. As lágrimas percorriam a sua face como uma enxurrada de Inverno que tudo leva à frente sem apelo nem agravo, em cada grito, em cada soluço, em cada pedaço de alma arrancado por aquele sofrimento sem palavras. Eleth tombava lentamente pelo chão, agarrando-se à relva como o último fio ténue que ainda a ligava ao mundo dos homens. O céu que cobria Nicalo acompanhava Eleth na sua tristeza, apagando o azul alegre substituindo-o por um cinzento melancólico, ao fundo começava-se a ouvir barulhos vindos do céu, a resposta divina ao apelo da mulher que sofria pela sua perda. O choro de Eleth lentamente foi enfraquecendo, os gritos dolorosos e lancinantes foram substituídos por soluços silenciosos e sussurrantes. Melith aproximou-se com um passo muito vagaroso e indeciso, estendendo a mão para tocar na sua rainha mas retirando-a no mesmo momento.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Beach and Sand
A água do mar limpa a areia das imperfeições que a rodeiam, desenha um novo tapete sagrado e intocável antes de recuar para recuperar o seu fôlego. As ondas engolem as rochas que encontram pelo caminho, num abraço doce e sonolento. Irmãs gémeas atacam as falésias intermináveis, pedaços despidos de pedra desnudados pela erosão temporal de um vento agreste e frio. Essas mesmas irmãs arrancam com ódio e com as suas garras de água os pequenos pedaços de roupa rochosa que escondem as falésias, descida mortífera para o medo da humanidade. Envolvem as paredes de pedra, primeiro escudo defensivo da terra, com um beijo doce mas mortífero, um toque cínico.
Vês quem aí vem? Olha, olha, ali mesmo ao teu lado. Não vês? Não sentes? Aproxima-se aos poucos, devagarinho num silêncio silencioso. Não vês? Fecha os olhos e respira fundo, é a brisa fresca que passa todos os dias pela praia. Um sorriso desenha-se na tua cara, sentes agora, não sentes? É aquele sopro que todos os dias percorre as dunas antigas, que afaga as falésias sábias com o seu toque suave e que transporta no seu colo a imensidão do desconhecido. Simplesmente... deixa-te levar... e sente... as leis do coração...
Vês quem aí vem? Olha, olha, ali mesmo ao teu lado. Não vês? Não sentes? Aproxima-se aos poucos, devagarinho num silêncio silencioso. Não vês? Fecha os olhos e respira fundo, é a brisa fresca que passa todos os dias pela praia. Um sorriso desenha-se na tua cara, sentes agora, não sentes? É aquele sopro que todos os dias percorre as dunas antigas, que afaga as falésias sábias com o seu toque suave e que transporta no seu colo a imensidão do desconhecido. Simplesmente... deixa-te levar... e sente... as leis do coração...
domingo, 24 de maio de 2009
Agosto 2006
Era já noite escura quando chegou à orla da floresta. Estava tudo calmo, mas uma acalmia estranha e incómoda. Entrou pela floresta, local que lhe era estranho e causava arrepios. À medida que se embrenhava cada vez mais na floresta, mais arrepios subiam pela espinha acima e mais desconforto sentia por estar num sítio tão inóspito, escuro, estranho e irrealmente calmo.
Passado algum tempo chegou ao ponto combinado, uma clareira que destoava da passagem que o rodeava. Árvores só ao redor do perímetro e vegetação só existia numa espécie rasteira sem beleza alguma. Conduziu o seu cavalo até ao antro da clareira e preparou-se para ficar à espera.
Perscrutou o horizonte à sua volta à procura de algum sinal ou movimento, mas em vão. A escuridão não lhe permitia um raio de visão para além do perímetro da clareira. Passados alguns minutos, a sua atenção foi desperta por um movimento que perturbou a quietude da noite. Foi um movimento repentino que foi imediatamente seguido por outros e num instante reparou que um círculo do soldados rodeava-o. Então, ao ver este cenário, ouviu uma voz conhecida:
- Apraz-me que Vossa Excelência chegou inteiro...
- Mas a mim não me apraz vê-lo. Para quê este aparato todo?
- Vossa Excelência tem que compreender que a minha segurança tem que ser acautelada, visto que venho incógnito...
- Está bem, está bem, que seja. Vamos lá despachar isto. Trouxe o que lhe pedi?
- Depende do que...
- Do quê? Eu deixei claro que não haveria mais contra-partidas.
- Hum... Visto dessa maneira dificilmente teremos negócio.
- O quê? Julgo que não estou a perceber bem... - a espada desembainhou-se à medida que proferia as palavras.
- Está a perceber bem está. Vossa Excelência não quererá... - disse com um sorriso de cara-a-cara, apontando para o círculo de soldados. Olhou em seu redor e viu que não teria hipóteses. Embainhou a espada.
- Ganhaste mas só desta vez, seu ladrãozeco.
- Eu não diria ladrãozeco, diria...talvez...negociante.
- Não gracejes, seu velhadas infame!
- Bem velhadas... Sou mais novo que seu pai e muito menos infame.
- Eu já disse para não gracejares!! Senão a tua existência nunca mais será notada.
- Não faria muita diferença, lá isso é verdade. Mas também é verdade que se eu, porventura, morresse, Vossa Excelência não obteria o que quer.
Os seus olhos cruzaram-se e fitaram-se durante momentos. Eram olhares diferentes, um de raiva e outro de divertimento. Esta luta entre homens diferentes no seu género prosseguiu, prosseguiu, prosseguiu até Vossa Excelência dar por terminada a refrega visual. Largou o pescoço do seu interlocutor e a conversa avançou.
- Vamos lá despachar isto. Está-se a fazer tarde.
- Muito bem, como queira. "..." traz a caixa!
"..." recebeu a caixa e deu-a a Vossa Excelência. Era de pequena dimensão, rectangular, muito simples com uma ou outra decoração modesta a rodear o forro da peça
Passado algum tempo chegou ao ponto combinado, uma clareira que destoava da passagem que o rodeava. Árvores só ao redor do perímetro e vegetação só existia numa espécie rasteira sem beleza alguma. Conduziu o seu cavalo até ao antro da clareira e preparou-se para ficar à espera.
Perscrutou o horizonte à sua volta à procura de algum sinal ou movimento, mas em vão. A escuridão não lhe permitia um raio de visão para além do perímetro da clareira. Passados alguns minutos, a sua atenção foi desperta por um movimento que perturbou a quietude da noite. Foi um movimento repentino que foi imediatamente seguido por outros e num instante reparou que um círculo do soldados rodeava-o. Então, ao ver este cenário, ouviu uma voz conhecida:
- Apraz-me que Vossa Excelência chegou inteiro...
- Mas a mim não me apraz vê-lo. Para quê este aparato todo?
- Vossa Excelência tem que compreender que a minha segurança tem que ser acautelada, visto que venho incógnito...
- Está bem, está bem, que seja. Vamos lá despachar isto. Trouxe o que lhe pedi?
- Depende do que...
- Do quê? Eu deixei claro que não haveria mais contra-partidas.
- Hum... Visto dessa maneira dificilmente teremos negócio.
- O quê? Julgo que não estou a perceber bem... - a espada desembainhou-se à medida que proferia as palavras.
- Está a perceber bem está. Vossa Excelência não quererá... - disse com um sorriso de cara-a-cara, apontando para o círculo de soldados. Olhou em seu redor e viu que não teria hipóteses. Embainhou a espada.
- Ganhaste mas só desta vez, seu ladrãozeco.
- Eu não diria ladrãozeco, diria...talvez...negociante.
- Não gracejes, seu velhadas infame!
- Bem velhadas... Sou mais novo que seu pai e muito menos infame.
- Eu já disse para não gracejares!! Senão a tua existência nunca mais será notada.
- Não faria muita diferença, lá isso é verdade. Mas também é verdade que se eu, porventura, morresse, Vossa Excelência não obteria o que quer.
Os seus olhos cruzaram-se e fitaram-se durante momentos. Eram olhares diferentes, um de raiva e outro de divertimento. Esta luta entre homens diferentes no seu género prosseguiu, prosseguiu, prosseguiu até Vossa Excelência dar por terminada a refrega visual. Largou o pescoço do seu interlocutor e a conversa avançou.
- Vamos lá despachar isto. Está-se a fazer tarde.
- Muito bem, como queira. "..." traz a caixa!
"..." recebeu a caixa e deu-a a Vossa Excelência. Era de pequena dimensão, rectangular, muito simples com uma ou outra decoração modesta a rodear o forro da peça
Agosto 2006
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